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Mente Expandindo

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Sobre tentar encontrar sentido na vida

As vezes sinto dificuldade em encontrar um proposito para a minha vida, o que me faz viver boa parte dos dias no automático, nesses momentos não sou feliz nem triste, apenas indiferente. Porém, o problema está quando em meus momentos de lucidez, eu reflito sobre o que estou fazendo e como meu tempo está passando e, nesses momentos, me sinto extremamente infeliz. Acho que, por muito tempo, aceitei que a vida seria assim para mim, difícil de viver e cheia de coisas que eu simplesmente não me importaria de verdade, acho que nem a mediocridade, mas o simples fato de estar indiferente para a própria vida.

Refletindo sobre a vida e como as coisas são, me peguei muito procurando por proposito, um motivo para eu existir, um que valha a minha vida, entretanto, a minha mente chegou que não há um motivo plausível para ter um proposito, pois tudo que é construído nessa vida, um dia se desfaz.

Por exemplo, supomos que tenha construído um império no meu segmento profissional, tendo dedicado à minha vida nisso. Nessa narrativa, quando eu envelhecer, não terei mais condições de seguir nesse ramo, tendo que passar o bastão para, com sorte, um filho que talvez eu tenha criado bem. A questão disso é que, por mais que meu filho tenha seguido o meu legado, talvez tudo se perca em algumas gerações, seja 1 ou 20. Assim, tudo o que eu construí se perde e fica a questão: a minha vida valeu a pena?

Um outro exemplo, supondo que eu tenha chegado ao posto de presidente da república e transformei o país em top 1 do mundo, o mesmo raciocínio geracional surge em minha mente, em quanto tempo o que eu fiz será perdido? Talvez séculos? O fato é que será perdido em algum momento.

Eu poderia discorrer sobre vários cenários que a minha mente já pensou, sempre cheguei ao mesmo ponto. Em contrapartida, sempre senti que eu conseguiria alcançar a excelência em tudo o que eu me propusesse verdadeiramente a fazer, o que intensificou ainda mais o meu sentimento de infelicidade e frustação comigo mesmo, pois eu sei que sou excelente, mas não vejo sentido em nada, então o que eu faço?

Em um determinado momento da minha vida experimentei sensações novas e um tanto quanto incendiadora em meu coração, algo bobo, mas que me deu uma motivação que a muito tempo não sentia: queria ser reconhecido com um prêmio em meu trabalho e ser promovido a um cargo de liderança. A minha mente não poupou esforços em diminuir a minha motivação, seguindo o princípio que discorri acima, porém o fogo queimava mais forte que tudo isso e, o “e depois?” só não importava mais.

A contradição foi intensa em meus pensamentos, como eu que tenho dificuldade em ter um proposito, encontrei motivação e forças em algo profissional? Simplesmente não fazia sentido. Refletindo muito sobre isso, encontrei em memorias de infância a ausência de reconhecimentos, a ausência de muitas coisas que poderiam explicar a minha vontade intensa em ser reconhecido.

Após essa clareza que tive, vi que a minha motivação veio de sentimentos fortes que não conhecia, e eles que me deram forças e um motivo inexplicável logicamente para seguir e dar tudo de mi em cada oportunidade que tive. Por conta dessa explicação que encontrei, procurei levá-la a outras questões que tenho e cheguei, logicamente, em um ponto para me apoiar: talvez a vida não tenha um proposito lógico, apenas devemos viver com o coração ardendo em chamas, pois isso nos dá a alegria de estar vivo e, o melhor ponto, nos faz esquecer da busca por proposito e sentido, apenas é bom estar ali e mais nada.

Esse raciocínio é recente e ainda não tive experiencias o suficiente para tê-lo como verdade absoluta, mas ele confortou um pouco o meu coração. Além de tudo, hoje estou buscando formas de me sentir vivo sem uma explicação lógica para isso, apenas sentido meu coração acelerar de emoção e adrenalina quando pratico esportes, quando me exponho em público em uma apresentação, ou apenas escuto uma música apreciando a sua melodia. Nesses momentos o meu coração bate diferente, uma satisfação por estar vivo é forte e minha mente para de questionar, apenas pelo motivo de eu estar vivendo algo que me deixa feliz.

Algo engraçado é que eu precisei entender isso refletindo sozinho sobre a minha vida, talvez essa reflexão seja obvia para muitas pessoas que cresceram um lar funcional, em uma casa onde os pais guiaram os seus filhos, o que infelizmente não foi o meu caso. De qualquer forma, apesar de anos de angústia que levaram boa parte de minha juventude, fico feliz de ter encontrado um motivo para eu me sentir vivo e provar para mim mesmo que a minha vida vale a pena.